Otavio de Faria, na famosa carta de 1932 a Vinicius de Moraes.A sua grande luta vai ser quando você tiver a carne à mão (se não lhe repugna a expressão) – essa amante a que você tanto aspira (...). Aí é que vamos ver qual é o frenesi que vence
REVOLTA
Rio de Janeiro , 1933
Alma que sofres pavorosamente
A dor de seres privilegiada
Abandona o teu pranto, sê contente
Antes que o horror da solidão te invada.
Deixa que a vida te possua ardente
Ó alma supremamente desgraçada.
Abandona, águia, a inóspita morada
Vem rastejar no chão como a serpente.
De que te vale o espaço se te cansa?
Quanto mais sobes mais o espaço avança...
Desce ao chão, águia audaz, que a noite é fria.
Volta, ó alma, ao lugar de onde partiste
O mundo é bom, o espaço é muito triste...
Talvez tu possas ser feliz um dia.
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